
Na noite desta segunda-feira (25), a Câmara Municipal de Osasco realizou Audiência Pública sobre o abastecimento de água no município, convocada pela Comissão de Política Urbana e Meio Ambiente. O evento foi presidido pela vereadora Elsa Oliveira (Podemos) e contou com a presença de outros nove vereadores da Casa.
O intuito da Audiência foi esclarecer problemas no fornecimento de água e esgoto pela Sabesp na cidade, por conta do crescente número de reclamações sobre a empresa em todo o estado de São Paulo.
“Há problemas recorrentes, não são casos isolados. Saneamento é um recurso básico para a sobrevivência. Há problemas com o fornecimento, com os valores cobrados e com o recapeamento das vias públicas após as obras da Sabesp. O objetivo é trazer soluções para melhorar a prestação de serviço”, disse Elsa, na abertura dos trabalhos.
Valdyr Ribeiro, secretário de Obras de Osasco, falou como a empresa pode melhorar essa situação: “Temos um problema de comunicação sobre as obras da Sabesp. A empresa poderia avisar em quais vias irá atuar e recapeamos essas ruas depois das obras. Além disso, o cronograma de obras é inviável e prejudica a população”, disse Ribeiro.
Para ele, “essa falta de comunicação prejudica o investimento de R$ 180 milhões feito pela Prefeitura. O asfalto reposto pela Sabesp é pior”, disse o secretário.
Renato Castanheira, diretor da Defesa Civil em Osasco, abordou os problemas enfrentados quando há um vazamento em uma adutora. “Uma rua no bairro Helena Maria ficou alagada e precisamos resgatar moradores como se fosse uma enchente”.
“Orientamos a população quando acontecem problemas causados por operadoras de serviço, mas seria mais fácil se as empresas seguissem os protocolos da Defesa Civil. Quando acontece um desastre, os maiores prejudicados são os cidadãos”, disse ele.
Contas
Edilson Ramos, do Procon Osasco, abordou o problema dos altos valores nas contas de água e o crescimento de reclamações contra a Sabesp: “A comunicação com a Sabesp é muito ruim e desde a metade de 2024, as reclamações sobre a empresa superaram as queixas contra a Enel, antiga campeã de registros no Procon”.
Segundo Ramos, as demandas não são resolvidas: “Temos respostas de apenas 30% das reclamações e os valores altos nas contas acontecem porque não há leitura e o consumo é estimado pela média dos meses anteriores”.
Vicente Medeiros, assessor da Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp), falou sobre a obrigatoriedade da Sabesp em manter padrões de serviço: “Nossa missão é garantir a qualidade dos serviços públicos, um exemplo é a reposição do pavimento. Uma das iniciativas foi a criação de um sistema para facilitar a comunicação entre a Arsesp e os municípios”.
Vereadores
Heber do JuntOz (PT) comentou também sobre os valores elevados das contas de água. “A troca dos hidrômetros pode estar causando o aumento do valor das contas nas residências. Não houve comunicação aos munícipes sobre essas trocas”, questionou ele.
Laércio Mendonça (PDT) comentou sobre a falta de transparência sobre os investimentos feitos pela empresa em Osasco: “Quais serão os investimentos e qual o cronograma para essas obras em Osasco? As falhas da Sabesp ultrapassam o limite do aceitável, como ressaltou o representante do Procon”, reclamou o vereador.
Comunicação foi o aspecto mais enfatizado pelo vereador Sérgio Fontellas (Republicanos). “A qualidade do serviço piorou muito. Um dos principais problemas é a ligação de casas cujo nível está abaixo da rede de esgoto, é uma manutenção cara e cujo montante é arcado pelo consumidor”, disse o parlamentar.
Batista Comunidade (Avante) reclamou do processo de privatização da empresa: “A venda da Sabesp e a mudança nos serviços aconteceu sem que houvesse uma discussão com as comunidades afetadas”.
Cantor Goleiro (União Brasil) foi outro parlamentar a questionar os valores elevados nas contas da Sabesp: “Muitas pessoas estão com o nome sujo por conta dos valores cobrados no abastecimento de água e esgoto. Além disso, a reposição do pavimento após as obras está péssima”, apontou ele.
Emerson Osasco (PCdoB) falou sobre as dificuldades de famílias com pessoas doentes em casa: “A população está insatisfeita; vários órgãos reclamaram da Sabesp nesta audiência. Falta de água, água com odor, contas elevadas, manutenção ruim, são várias reclamações. Por mais que sejamos diplomáticos, é necessária uma atitude enérgica da empresa para resolver os problemas”.
Esclarecimentos
Tais Schoueri, do setor de Relações Institucionais da Sabesp, prometeu encaminhamento
dessas reclamações: “A audiência deu um bom panorama sobre os problemas e vamos responder todos os questionamentos”.
Fabiano Cunha, diretor da Sabesp em Pinheiros, endossou a fala da colega de empresa: “Tragam as reclamações e iremos resolver. Um dos nossos principais focos é evitar o desperdício na distribuição de água”.
Perguntas
Tanto na plateia quanto pela Internet, os munícipes fizeram questionamentos sobre a atuação da empresa. Luciana Oliveira, pela Internet, relatou estar com contas cinco vezes mais caras e perguntou como quitar esses débitos. Fátima Ribeiro, também pela Internet, perguntou quando serão finalizadas as obras na avenida Costa e Silva.
Carlos Gideon, na plateia da audiência, citou uma dificuldade em relação às contas atrasadas: “Para restabelecer o abastecimento de água, a empresa pede a quitação dos débitos dessas contas com valores abusivos”.








