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Audiência Pública esclarece população sobre doença que afeta animais, principalmente gatos



A Câmara Municipal realizou, na noite desta segunda-feira (01), no Plenário Tiradentes, audiência pública com o tema “Esporotricose: desafios e soluções”.

O evento, solicitado pela Comissão de Política Urbana, Meio Ambiente e Defesa dos Direitos do Consumidor de Serviços Públicos Municipais, reuniu especialistas e membros da comissão. Alexandre Capriotti (PL) presidiu a audiência, secretariada por Sérgio Fontellas (Republicanos).

Compuseram a mesa Michelle Perroni, secretária-adjunta da Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, representando o secretário da pasta, Cláudio Henrique da Silva; Ademar Mendes de Lima, conhecido como Mazzola, diretor do Departamento de Vigilância Sanitária; Vitória Silvestre, secretária executiva de Fauna e Bem-Estar Animal; e dr. Leandro Alves, diretor dos hospitais veterinários de Osasco.

Tratamento rigoroso

Vilma Pereira da Costa, médica-veterinária, bióloga, mestre em Bem-Estar Animal e especialista em dermatologia veterinária e terapia celular com células-tronco, usou a tribuna para destacar a importância de debater zoonoses e combater preconceitos.

“Estamos diante de um cenário preocupante, um problema negligenciado”, afirmou ao abordar a esporotricose, uma infecção fúngica.

“O tratamento é rigoroso e a doença pode causar danos graves ao fígado humano”, explicou Vilma, acrescentando que a infecção ocorre pelo contato do fungo com a pele ou mucosas. Segundo ela, ações simples, como a limpeza de quintais e o cuidado com espaços públicos, podem ajudar a prevenir a doença.

De acordo com a especialista, os felinos não são os responsáveis pela disseminação da esporotricose. “Os vilões somos nós, que não fazemos a nossa parte, que é simples. O fungo está naturalmente no solo e os surtos são controláveis”, afirmou, destacando a importância do trabalho conjunto entre população e poder público.

A doença em Osasco

O médico veterinário e dermatólogo dr. Saulo Adalberto de Araújo complementou a fala ao explicar que o agente causador é um fungo do gênero Sporothrix, com origem ambiental (sapronótica) ou animal (zoonótica — Sporothrix brasiliensis), manifestando-se por lesões cutâneas em humanos e animais.

O profissional apresentou dados sobre o avanço da doença, antes predominante no Rio de Janeiro na década de 1980 e hoje presente em todo o país, além de detalhar as formas de tratamento mais utilizadas.

Segundo ele, a doença tem cura, e cabe aos médicos veterinários determinar a dosagem e a forma de administração dos medicamentos.

O dr. Saulo destacou que, em Osasco, os dois hospitais públicos realizam o tratamento e que casos positivos devem ser notificados para monitoramento. Em humanos, os registros são elevados, especialmente na capital paulista e na Região Metropolitana de São Paulo.

Em Osasco, entre 2021 e 2025, foram notificados 119 casos em humanos, com 67 confirmações, de acordo com o Grupo de Vigilância Epidemiológica do Estado de São Paulo.

“Precisamos criar medidas para reduzir os casos em Osasco”, afirmou, ressaltando a importância do controle reprodutivo dos animais e do acompanhamento dos casos notificados.

Poder público

O dr. Leandro Alves, diretor dos hospitais veterinários públicos de Osasco, defendeu os felinos e destacou que a atuação integrada dos serviços públicos é essencial para evitar a estigmatização dos gatos, já que nem todas as lesões de pele são esporotricose.

A médica-veterinária dra. Débora Nunes de Souza explicou que o Núcleo de Controle de Zoonoses realiza a análise dos casos para diagnóstico, mas não é responsável pelo tratamento. Ela também apontou resistência da população durante visitas a áreas com suspeitas da doença.

“É preciso ter posse responsável. Grande parte das infecções ocorre pelo contato com o próprio animal, devido à falta de cuidados”, afirmou, lembrando que outras doenças também podem ser transmitidas nessas condições. Segundo ela, ainda há muito desconhecimento sobre o tema, inclusive entre profissionais, o que contribui para a desinformação.

Vitória Silvestre destacou a importância do debate para o controle da doença e mencionou as políticas públicas de castração, que beneficiam tanto a saúde animal quanto a humana.

Michelle Perroni parabenizou a Câmara pela iniciativa de discutir o tema, ressaltando a importância de ampliar os esclarecimentos à população.

Sérgio Fontellas afirmou que a audiência representa um divisor de águas, diante do impacto da doença na saúde pública. “A ideia é conscientizar a população sobre sua responsabilidade, não apenas do poder público”, disse.

Alexandre Capriotti encerrou a audiência destacando a importância do encontro e a qualificação dos profissionais participantes. “Queremos que Osasco se torne referência também no combate à esporotricose”, afirmou.

As perguntas feitas pelas redes da Câmara Municipal serão respondidas por e-mail para quem as enviou. 

A Comissão de Política Urbana, Meio Ambiente e Defesa dos Direitos do Consumidor de Serviços Públicos Municipais é composta pelo presidente Alexandre Capriotti (PL), pelo relator Pedrinho Cantagessi (União) e pelos membros Cantor Goleiro (União), Guilherme Prado (PRD) e Sérgio Fontellas (Republicanos).



Fonte Camara Municipal de Osasco