
A Câmara Municipal de Osasco realizou, na manhã desta segunda-feira (23), o 2º Seminário da Síndrome de Down, proposto pelo vereador Ralfi Silva (Republicanos). Especialistas das áreas de esporte e educação palestraram sobre o tema, abordando questões relacionadas ao desenvolvimento e à inclusão de pessoas com síndrome de Down.
Ralfi Silva, presidente da Comissão do Idoso, do Aposentado, do Pensionista e das Pessoas com Deficiência, destacou a importância de iniciativas como a promovida pela Câmara Municipal, além da criação de espaços especializados para o atendimento desse público.
“Devagar, a gente amplia os serviços e, aos poucos, Osasco vai se tornando referência no atendimento”, afirmou o vereador, ao citar os serviços voltados às pessoas com síndrome de Down e outras deficiências. “Já existe um local reservado ao lado da concha acústica da FITO e isso está muito próximo de se tornar realidade”, completou.
A presidente do Fundo Social de Solidariedade, Gabriela Pessoa, também elogiou a iniciativa da Câmara ao abordar o tema e falou sobre os projetos em andamento na cidade.
“Teremos um centro de atendimento que será incrível. Peço um pouco de paciência aos pais, mas temos muitas novidades para apresentar”, disse Gabriela, ao parabenizar, especialmente, os profissionais da educação que atuam com crianças com síndrome de Down.
Alfabetização
A pedagoga Kathleen Macedo dos Santos, coordenadora educacional, abriu a programação com a palestra “Estratégias de Alfabetização para Alunos com Síndrome de Down”.
“Durante muito tempo, acreditava-se que pessoas com deficiência e com Síndrome de Down não poderiam ser alfabetizadas, mas isso é um mito. (…) A alfabetização é um caminho que abre portas e amplia a participação social, a autonomia e a inclusão”, destacou.
Em sua apresentação, a pedagoga ressaltou os preditores de alfabetização — também chamados de habilidades precursoras —, que são competências cognitivas e linguísticas essenciais para o desenvolvimento da leitura e da escrita, como consciência fonológica, conhecimento alfabético e memória fonológica.
“O educador tem papel fundamental nesse processo: acreditar no potencial do aluno, criar um ambiente inclusivo e adaptar estratégias. Nós acreditamos que é possível — e é a isso que dedico a minha vida”, concluiu Kathleen.
Capoeira e Síndrome de Down
O segundo palestrante foi o capoeirista Antônio Prado, conhecido como Mestre Madrugada, que atua com capoterapia. Ele relembrou que, na década de 1980, recebeu um aluno com síndrome de Down, experiência que o motivou a desenvolver novas técnicas para promover a inclusão.
“Foi a partir daí que começou um trabalho mais forte com a capoterapia”, explicou.
Segundo ele, a capoeira é uma atividade inclusiva e de alto valor terapêutico, promovendo melhorias na coordenação motora, equilíbrio, foco, respiração e interação social. “A prática combina movimentos físicos com música e ritmo. Trabalhamos força, noção de espaço e tudo de maneira muito lúdica”, afirmou.
Futsal e Síndrome de Down
O terceiro palestrante foi Cleiton Monteiro, ex-atleta e treinador com ampla experiência no trabalho com atletas com síndrome de Down. Reconhecido como um dos principais nomes do país no futsal e futebol voltados a esse público, é tricampeão mundial com a Seleção Brasileira de Futsal Down.
“Nos primeiros treinos, eles ficavam sem entender muito bem o que eu falava. Foi quando percebi que a comunicação precisava ser adaptada. Fui estudar, aprender mais sobre o tema, e hoje são 20 anos de atuação nessa área”, relatou.
Monteiro destacou ainda a importância da união entre poder público e famílias para ampliar a inclusão no esporte.
“Há um movimento para que o futebol e o futsal Down estejam em todos os clubes. Juntos somos mais fortes. É preciso que o poder público e as famílias acreditem em seus filhos. Eu não tenho um familiar com deficiência, mas construí uma família dentro dessa comunidade”, afirmou.
Famílias atípicas
O seminário foi encerrado com a palestra da escritora Ana Beatriz Marques, autora de mais de 40 obras, reconhecida por seu trabalho literário e mãe atípica de Miguel. Ao lado do esposo, Reinaldo Marques, ela compartilha a rotina familiar como forma de incentivar outras famílias.
“Miguel tem 21 anos, e durante muito tempo tivemos certa resistência em participar de eventos sobre Síndrome de Down, por receio de abordagens capacitistas. Mas, neste evento, houve espaço para tratar de temas muito relevantes”, destacou.
Miguel também fez uso da Tribuna para falar sobre sua rotina. O jovem estagia, trabalha e sonha em atuar na área de audiovisual e jogar futebol.
“O que eu mais gosto é trabalhar com audiovisual e ensinar outras pessoas. Faço edição e cuido de toda a parte de produção. Uso o [aplicativo] CapCut, que tem ferramentas importantes para a gente”, contou.
Ralfi Silva encerrou o seminário, agradecendo a participação de todos e parabenizando os palestrantes.
Também prestigiaram o evento Eric Perestrelo, presidente da Comissão de Assuntos Legislativos da OAB Osasco; o pastor Gilson Souza, vereador em Jandira; Bárbara Sápia, gestora técnica de enfermagem; Reinaldo e Miguel Marques; e Valdirene Rodrigues Lucas, professora da rede municipal de Osasco e especialista no atendimento de alunos com síndrome de Down.








